21 jul Intercâmbio apresenta alternativas produtivas para fortalecer segurança alimentar em duas Resex do Marajó
Lideranças das Resex Arióca Pruanã e Mapuá visitaram experiências de produção sustentável na Eco-fazenda Patuanu, em Breves
Treze lideranças comunitárias das Reservas Extrativistas (Resex) Arióca-Pruanã, localizada em Oeiras do Pará, e Mapuá, localizada, no município de Breves, participaram, em maio, de um intercâmbio promovido pelo Instituto Floresta Tropical (IFT) e pelo Fundo Vale na Eco-fazenda Patuanu, no arquipélago do Marajó. A atividade reuniu manejadores, representantes de associações comunitárias e técnicos para conhecer experiências de produção sustentável voltadas à segurança alimentar, geração de renda e diversificação produtiva em propriedades familiares.
O objetivo da visita foi apresentar alternativas que possam ser adaptadas à realidade das famílias ribeirinhas das duas reservas extrativistas, ampliando as possibilidades de uso dos quintais produtivos e fortalecendo a autonomia alimentar das comunidades.
Ao longo de um dia de campo, os participantes conheceram diferentes iniciativas desenvolvidas pela Eco-fazenda Patuanu, empreendimento que atua há cerca de dez anos com sistemas integrados de produção em pequena escala. Entre as experiências apresentadas estavam a criação de aves para produção de carne e ovos, a produção de pintinhos, a piscicultura em tanques suspensos de água corrente, a geração de biogás a partir de resíduos orgânicos, a produção de mudas florestais e frutíferas por técnicas como enxertia e alporquia, além da implantação de sistemas agroflorestais em diferentes estágios de desenvolvimento.
Segundo Iran Paz Pires, engenheiro florestal do IFT e coordenador da atividade, o intercâmbio foi planejado para aproximar os participantes de soluções já testadas e adaptadas às condições ambientais do Marajó.
“Mais do que apresentar tecnologias, a proposta foi mostrar que existem alternativas viáveis para fortalecer os quintais das famílias, aumentar a oferta de alimentos e diversificar a produção sem comprometer a floresta. São experiências que podem ser incorporadas gradualmente, respeitando a realidade de cada comunidade e do atual status de composição familiar da maioria das casas do arquipélago”, afirma.
A Eco-fazenda Patuanu também chamou a atenção dos participantes pelo modelo de formação de mão de obra local. Parte da equipe que hoje trabalha na propriedade é formada por moradores de comunidades vizinhas que receberam capacitação e passaram a replicar algumas das práticas produtivas em seus próprios terrenos.
Para os representantes das reservas extrativistas, a visita permitiu observar, na prática, como diferentes atividades podem coexistir em uma mesma área, gerando alimentos, renda e oportunidades para as famílias.
“O que vimos aqui mostra que é possível produzir mais alimentos para consumo próprio e também criar novas oportunidades de geração de renda. Muitas dessas iniciativas são simples e podem ser adaptadas à nossa realidade”, avaliou uma das lideranças participantes durante a atividade.
As Resex Arióca-Pruanã e Mapuá estão entre os territórios atendidos pelo projeto Florestas Comunitárias, apoiado pelo Fundo Vale, que busca fortalecer estratégias de conservação associadas à melhoria das condições de vida das populações tradicionais. O intercâmbio integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional, da gestão comunitária dos recursos naturais e da diversificação das atividades produtivas nas comunidades atendidas.
Como encaminhamento da atividade, está prevista a realização de novos cursos e capacitações voltados à produção de aves, implantação de sistemas agroflorestais, cultivo de hortaliças e frutíferas em quintais produtivos. A expectativa é que cerca de 60 famílias das duas reservas possam escolher e implementar modelos produtivos compatíveis com suas necessidades e condições locais.
A iniciativa reforça uma estratégia que vem ganhando espaço em diferentes regiões da Amazônia: combinar conservação florestal com produção de alimentos, geração de renda e fortalecimento das capacidades locais. Em territórios onde a floresta faz parte do cotidiano e da economia das famílias, ampliar o acesso a tecnologias simples e adaptadas pode representar um passo importante para aumentar a resiliência das comunidades diante das mudanças ambientais e dos desafios econômicos da região.



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