Intercâmbio apresenta alternativas produtivas para fortalecer segurança alimentar em duas Resex do Marajó

Intercâmbio apresenta alternativas produtivas para fortalecer segurança alimentar em duas Resex do Marajó

Lideranças das Resex Arióca Pruanã e Mapuá visitaram experiências de produção sustentável na Eco-fazenda Patuanu, em Breves

Treze lideranças comunitárias das Reservas Extrativistas (Resex) Arióca-Pruanã, localizada em Oeiras do Pará, e Mapuá, localizada, no município de Breves, participaram, em maio, de um intercâmbio promovido pelo Instituto Floresta Tropical (IFT) e pelo Fundo Vale na Eco-fazenda Patuanu, no arquipélago do Marajó. A atividade reuniu manejadores, representantes de associações comunitárias e técnicos para conhecer experiências de produção sustentável voltadas à segurança alimentar, geração de renda e diversificação produtiva em propriedades familiares.

O objetivo da visita foi apresentar alternativas que possam ser adaptadas à realidade das famílias ribeirinhas das duas reservas extrativistas, ampliando as possibilidades de uso dos quintais produtivos e fortalecendo a autonomia alimentar das comunidades.

Ao longo de um dia de campo, os participantes conheceram diferentes iniciativas desenvolvidas pela Eco-fazenda Patuanu, empreendimento que atua há cerca de dez anos com sistemas integrados de produção em pequena escala. Entre as experiências apresentadas estavam a criação de aves para produção de carne e ovos, a produção de pintinhos, a piscicultura em tanques suspensos de água corrente, a geração de biogás a partir de resíduos orgânicos, a produção de mudas florestais e frutíferas por técnicas como enxertia e alporquia, além da implantação de sistemas agroflorestais em diferentes estágios de desenvolvimento.

Segundo Iran Paz Pires, engenheiro florestal do IFT e coordenador da atividade, o intercâmbio foi planejado para aproximar os participantes de soluções já testadas e adaptadas às condições ambientais do Marajó.

“Mais do que apresentar tecnologias, a proposta foi mostrar que existem alternativas viáveis para fortalecer os quintais das famílias, aumentar a oferta de alimentos e diversificar a produção sem comprometer a floresta. São experiências que podem ser incorporadas gradualmente, respeitando a realidade de cada comunidade e do atual status de composição familiar da maioria das casas do arquipélago”, afirma.

A Eco-fazenda Patuanu também chamou a atenção dos participantes pelo modelo de formação de mão de obra local. Parte da equipe que hoje trabalha na propriedade é formada por moradores de comunidades vizinhas que receberam capacitação e passaram a replicar algumas das práticas produtivas em seus próprios terrenos.

Para os representantes das reservas extrativistas, a visita permitiu observar, na prática, como diferentes atividades podem coexistir em uma mesma área, gerando alimentos, renda e oportunidades para as famílias.

“O que vimos aqui mostra que é possível produzir mais alimentos para consumo próprio e também criar novas oportunidades de geração de renda. Muitas dessas iniciativas são simples e podem ser adaptadas à nossa realidade”, avaliou uma das lideranças participantes durante a atividade.

As Resex Arióca-Pruanã e Mapuá estão entre os territórios atendidos pelo projeto Florestas Comunitárias, apoiado pelo Fundo Vale, que busca fortalecer estratégias de conservação associadas à melhoria das condições de vida das populações tradicionais. O intercâmbio integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional, da gestão comunitária dos recursos naturais e da diversificação das atividades produtivas nas comunidades atendidas.

Como encaminhamento da atividade, está prevista a realização de novos cursos e capacitações voltados à produção de aves, implantação de sistemas agroflorestais, cultivo de hortaliças e frutíferas em quintais produtivos. A expectativa é que cerca de 60 famílias das duas reservas possam escolher e implementar modelos produtivos compatíveis com suas necessidades e condições locais.

A iniciativa reforça uma estratégia que vem ganhando espaço em diferentes regiões da Amazônia: combinar conservação florestal com produção de alimentos, geração de renda e fortalecimento das capacidades locais. Em territórios onde a floresta faz parte do cotidiano e da economia das famílias, ampliar o acesso a tecnologias simples e adaptadas pode representar um passo importante para aumentar a resiliência das comunidades diante das mudanças ambientais e dos desafios econômicos da região.

 

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