21 jul Curso de agrofloresta prepara famílias da Resex Mapuá para implantação de quintais produtivos
Capacitação reuniu 21 moradores da Resex Mapuá para planejar quintais produtivos, fortalecer a segurança alimentar e preparar a implantação de sistemas agroflorestais adaptados à realidade local.
Breves (PA) – Moradores da Reserva Extrativista (Resex) Mapuá participaram, nos dias 26 e 27 de maio, de um curso de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e produção de mudas promovido pelo Instituto Floresta Tropical (IFT), com apoio do programa Sustenta.Bio, do Fundo Vale em parceria com o ICMBio. A atividade reuniu 21 participantes nas novas instalações construídas para o grupo de manejadores ligados à COAMA na comunidade Boa Esperança, no rio Aramã, e marca mais uma etapa das ações do programa voltadas ao fortalecimento das iniciativas de manejo e de fortalecimento local, desta vez com foco na segurança alimentar e à diversificação produtiva das famílias da unidade de conservação.
A capacitação foi realizada após uma série de oficinas promovidas pelo projeto Florestas Comunitárias nos rios Aramã e Mapuá. Nessas atividades, moradores identificaram o interesse em ampliar a diversidade dos quintais produtivos e incorporar novas espécies de valor alimentar, econômico e ambiental.
O curso foi conduzido por Roberto, sócio da Eco-fazenda Patuanu, empreendimento localizado em Breves com experiência na implantação de sistemas agroflorestais e produção de mudas na região do Marajó. Durante dois dias, os participantes alternaram momentos de formação teórica e atividades práticas voltadas ao planejamento e implantação de SAFs e produção de mudas frutíferas.
No primeiro dia, os participantes discutiram conceitos e modelos de agroflorestas adaptados à realidade amazônica. Em seguida, conheceram diferentes técnicas de produção de mudas, incluindo seleção de substratos, tipos de recipientes, manejo de sementes de espécies florestais e métodos de propagação vegetativa, como alporquia e enxertia.
A segunda etapa do curso foi dedicada à construção coletiva de um desenho agroflorestal que servirá de referência para as próximas ações do projeto. Com base em discussões realizadas anteriormente com as famílias, foram definidos o arranjo das espécies, os espaçamentos, os diferentes estratos vegetais e a sequência de implantação do sistema.
Segundo o engenheiro florestal Iran Pires, gerente técnico do IFT e responsável pela atividade, a proposta vai além da introdução de novas espécies nos quintais.
“Os sistemas agroflorestais permitem que as famílias produzam alimentos, recuperem áreas produtivas e ampliem a diversidade dos quintais. O planejamento participativo é fundamental para que esses sistemas atendam às necessidades de cada família e sejam sustentáveis ao longo do tempo”, afirma.
A formação também reforçou a participação das famílias na definição dos modelos produtivos que serão implantados, pois derivam dos anseios locais aliado às demandas oriundas de trocas e vendas da produção excedente. Do total de participantes, nove eram mulheres, o equivalente a 43% do público presente.
Para os moradores, o curso representou uma oportunidade de conhecer novas técnicas e adaptar conhecimentos tradicionais às demandas atuais de produção. A metodologia adotada privilegiou o diálogo e a troca de experiências entre instrutor e participantes, permitindo que vivências locais fossem incorporadas ao planejamento dos sistemas agroflorestais.
A próxima fase do trabalho será a implantação dos quintais produtivos e da unidade demonstrativa de SAF planejada durante o curso. O processo contará com acompanhamento técnico do IFT e apoio especializado para aquisição de mudas, preparação das áreas e introdução das espécies definidas pelas famílias.
Além de ampliar a oferta de alimentos para consumo doméstico, a iniciativa busca criar oportunidades para comercialização do excedente da produção, fortalecendo a autonomia das famílias e contribuindo para a conservação produtiva da floresta.
A atividade integra o projeto Florestas Comunitárias, desenvolvido pelo IFT com apoio do programa Sustenta.Bio, do Fundo Vale em parceria com o ICMBio, que atua no fortalecimento de cadeias produtivas da sociobiodiversidade, do manejo florestal comunitário e de estratégias de geração de renda em territórios tradicionais da Amazônia.



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