Evento interinstitucional fortalece a agenda do manejo florestal na Amazônia

Evento interinstitucional fortalece a agenda do manejo florestal na Amazônia

Evento inédito, em Belém, reuniu governo, universidades, organizações do terceiro setor e comunidades tradicionais para debater o papel estratégico do Manejo Florestal na região

 

 

Pesquisadores, agentes públicos, organizações socioambientais e lideranças comunitárias se reuniram, nos dias 21 e 22 de maio, em Belém, no 1º Encontro Amazônico do Manejo Florestal. O evento, realizado no auditório do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), no bairro do Curió-Utinga, debateu os desafios do fomento ao manejo florestal na Amazônia.

A iniciativa foi promovida pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), o Instituto Floresta Tropical Johan Zweede (IFT), o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e outras organizações referências em pesquisa do setor florestal brasileiro como a Embrapa Amazônia Oriental, o Ideflor-Bio, o Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), o Laboratório de Silvicultura Tropical (LASTROP) – da Escola Superior Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), o Programa REDD Early Movers (REM Mato Grosso) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Evento reuniu representantes de diferentes segmentos do setor florestal (Foto: Karina Paes/IFT)

 

Ao longo de dois dias o encontro reuniu cerca de 250 participantes. A programação incluiu palestras técnicas, debates e rodas de conversa com especialistas e manejadores comunitários sobre sociobiodiversidade, sustentabilidade e bioeconomia a partir das experiências de manejo florestal na região.

“Este evento ocorreu em um momento chave para a silvicultura tropical no país no sentido de retomar a agenda de manejo florestal e manejo florestal comunitário como ferramentas chaves para o controle do desmatamento, conservação de florestas e geração de bem-estar social”, afirma Marco Lentini, secretário executivo do IFT.

A proposta ajuda a fomentar os debates sobre a atuação do manejo florestal como instrumento de promoção da justiça social, geração de renda e manutenção da floresta em pé, contribuindo para o cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil e para a consolidação de estratégias de desenvolvimento regional baseadas na sustentabilidade.

 

Valorização da sociobiodiversidade

Segundo Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora, o encontro foi uma possibilidade de fomentar o debate sobre o potencial social e econômico do manejo florestal nas agendas de sociobioeconomia da Amazônia.

“Esse evento parte do entendimento de que o manejo florestal sustentável é uma tecnologia já testada, com base técnica e científica consolidada, capaz de conectar conservação ambiental, desenvolvimento regional, justiça social e valorização da sociobiodiversidade. Por isso, o debate sobre o manejo não pode ser feito de forma separada. Temos que discutir esse tema com diferentes atores que estão envolvidos neste setor”, destaca.

Para Sobral, essa discussão passa por desafios históricos da agenda florestal brasileira como políticas públicas, financiamento, fomento, capacitação, agregação de valor, rastreabilidade, reputação da cadeia florestal e combate à exploração ilegal da madeira.

Liderança comunitária da Reserva Extrativista Arióca Pruanã, no município de Oeiras do Pará, no Marajó, Merilene Pantoja afirma que o encontro foi uma oportunidade para compartilhar os desafios e as experiências positivas do manejo florestal com diferentes segmentos da sociedade.

“O manejo florestal permite que as comunidades gerem renda e mantenham a floresta de pé. Mas apesar desses benefícios, sabemos que ainda existe muito desconhecimento sobre o papel do manejo florestal na nossa região, principalmente em relação às comunidades tradicionais. Por isso espaços como esses são importantes para fortalecer essa agenda e ajudar a ampliar esse diálogo com o governo e com empresas que atuam nessa área”, afirma a líder comunitária.

 

Observatório do manejo florestal na Amazônia

Durante o evento foi lançada a chamada para a construção do “Observatório do manejo florestal na Amazônia brasileira”, iniciativa que será formada a partir de diferentes fóruns e espaços de governança coletiva alinhados com a agenda florestal. Gracialda Ferreira, diretora do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFRA, afirma que o observatório será fundamental para fornecer informações para pesquisas e políticas públicas relacionadas ao manejo florestal tanto na escala empresarial como na escala comunitária.

“Precisamos de um observatório na Amazônia que acompanhe as áreas onde o manejo está sendo praticado de forma adequada, trazendo essas informações para alimentar o processo da gestão e retroalimentar as empresas que fazem o manejo na busca ou na disponibilização de ajustes que possam ser necessários para aperfeiçoar cada vez mais a aplicação e as técnicas desse setor”, explica a professora.

Para Marco Lentini, o encontro foi uma virada de chave na agenda de fomento ao manejo florestal da Amazônia. A expectativa é que as discussões geradas no evento ajudem a pautar políticas públicas relacionadas ao tema, principalmente a partir dos posicionamentos construídos pelo Observatório do Manejo Florestal.

“O evento foi marcado por debates de alta qualidade técnica e institucional, apresentando um panorama do estado da arte e dos desafios para o ganho de escala no manejo florestal e no manejo florestal comunitário e familiar. Como encaminhamento, vamos organizar e construir o observatório para fomentar ainda mais essa pauta, considerando critérios como representatividade e participação dos mais diferentes segmentos que produzem e promovem o manejo florestal na região”.

 

 

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